domingo, 9 de fevereiro de 2014

A OPÇÃO DO REI DAVI

Foram propostos a Davi sete anos de fome? (2 Samuel 24.13)  ou três anos? (I Crônicas 21.22)


Devemos, em princípio, notar que entre uma narrativa e outra, muito tempo decor­reu e que a semelhança entre as letras hebraicas "zain" e "vav" que correspon­dem aos números sete e três respectiva­mente, pode ter gerado uma discordância na tradução.

Tanto mais que as Crônicas podem ter sido baseadas em escritos ante­riores e não na redação de textos exclusi­vos. 

Essa observação, a nosso ver, não de­ve, contudo, ser tomada ao pé da letra para que não se incorra na negação da inspira­ção divina das Sagradas Escrituras e na sua autoridade. 

O número sete tem uma posição eminente entre os números sagra­dos da Bíblia e está associado com algo completo, com cumprimento, com perfei­ção (Novo Dicionário da Bíblia -Douglas). 

A sua citação em 2 Samuel, pa­rece incutir a idéia de que a escolha de Davi seria conclusiva, levada por Deus ao extremo e a sua responsabilidade seria tre­menda, por ter desagradado a Deus com um ato que até na opinião do general (Joabe) pareceu supérfluo, e abominável, a ponto de este omitir a contagem de duas facções: 1 Cr 21.3,6. 

A alma de Davi, porém, estava realmente atribulada e a sua experiência com Deus fê-lo preferir que o castigo viesse diretamente de Deus, "pois grandes são as suas misericórdias". Deve­mos aprender com esta sua decisão que por mais penosas que nos pareçam as tribulações, elas serão atenuadas pelas misericór­dias do Senhor. Seriam muitas as citações em que o número sete representa a perfei­ção dos atos divinos. 

Quanto ao número três, citado em 1 Crônicas 21.12, além da sua fortíssima alusão à Trindade, também é associado com poderosos atos de Deus e à presteza com que os realiza ou quer reali­zar. Aqui, o número três seria a confirma­ção de que não somente os atos de Deus são perfeitos, mas que são atos poderosos e que Deus tem mesmo poder para executá-los, além da autoridade que vem dele mes­mo e da sua natureza poderosa. 

A duplici­dade de termos, que nos parecem discrepantes, fortalece ainda mais a inspiração das Escrituras, que afirmam a perfeição dos atos divinos e o seu fiel cumprimento em 2 Samuel e os reafirma como atos pode­rosos e competentes nas Crônicas, escritas muitos anos depois. 

Embora não sendo co­nhecido o autor dos livros de Samuel, é aceito que ele mesmo os tenha escrito e que foram completados por Gade e Natã, os quais também teriam depois escrito os dois livros  de  Crônicas - que originalmente eram unificados - baseados nas anotações já existentes, revistas e aumentadas, ou, pelo menos, mais aclaradas. 

Podemos infe­rir do exposto que as duas citações são vá­lidas, observando-se o ponto de vista de quem possa ter escrito e o uso que faz dos números bíblicos e seus significados.

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